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Renata Vasconcellos

Eu não poderia imaginar o que estava para acontecer comigo ao pegar aquele voo com destino a Montreal. Era um momento de intensa mudança. Eu estava ansiosa e ao mesmo tempo insegura. Eu deixava um bom emprego, uma carreira que estava se consolidando numa área que eu sempre sonhei em atuar, minha família, amigos, tudo que era meu, para viver o incerto.

E levava apenas duas malas médias comigo. Naquele momento, eu achava que eram insuficientes. Eu poderia precisar de mais. Sabe aquela saia azul que estou levando? Elas combinam com aquele salto que não coube na mala…

Todo mundo dizia que eu era corajosa, mas a verdade é que eu tinha muito medo. E se não desse certo? E se eu não gostasse de lá? E se eu sentisse muita falta da família? Não havia mais tempo para desistir. Aliás, “desistir” é uma palavra que não existe no meu dicionário.

A princípio seriam apenas seis meses. Eu iria, aprenderia o idioma (quem sabe até dois?), conheceria um monte de pessoas, várias culturas, vários lugares, várias comidas, e voltaria para casa com uma bagagem cheia de experiência.

De fato foi o que aconteceu… Menos a última parte. Eu não voltei. E a bagagem ainda está aberta. Hoje completa sete meses que eu aterrizei nessa cidade maravilhosa, que mais tarde eu descobriria que seria o local onde eu iria querer passar o resto da minha vida.

As roupas que trouxe, não usei nem a metade. Salto? Para quê? Eu preciso dos meus pés confortáveis para andar por essa cidade linda e segura, contemplando principalmente as pessoas que são cordiais e honestas com uma naturalidade que eu jamais vi.

Saudade da família dá. E é a toda hora, ou até a todo minuto. A insegurança ainda bate à porta de vez em quando, afinal ainda estou em processo de adaptação e de imigração. Mas nada que seja superior à vontade de crescer e criar raízes em um local que respira dignidade.

A única coisa que me arrependo é de não ter vindo antes…

Renata Vasconcellos
Jornalista (Paraíba)
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