Engravidei no Canadá. E agora?

Muitas mulheres desejam ser mães, mas quando isso acontece em outro país, como proceder? Se você descobre uma gravidez enquanto está no Canadá, é só ficar atenta aos procedimentos burocráticos do governo para saber se você pode ter acesso ao sistema de saúde pública ou se deverá acionar o seu seguro saúde e tudo vai correr bem. Além disso, mesmo tendo acesso ao sistema de saúde você pode estranhar um pouco os procedimentos médicos realizados ao longo de uma gravidez. Vamos detalhar tudo isso para você aqui abaixo.

Acesso a Saúde para Grávidas

Sabemos que trabalhadores temporários, que estão empregados regularmente, tem direito à inscrição no sistema de saúde pública, assim como seus acompanhantes. Em algumas províncias, até estudantes tem cobertura de saúde pública sobre as necessidades médicas básicas e necessárias durante a gravidez. Antes de viajar, é importante verificar as regras específicas para a província onde você irá morar e, se a cobertura médica não for feita pelo governo, é importante ter um seguro saúde que faça esse tipo de segurança, especialmente porque os gastos com a medicina privada são bastante altos no Canadá.

Como solicitar o seu cartão de saúde

Com base no seu status no Canadá e se a província onde você está morando aceita suas condições, os documentos necessários são geralmente: permissão de estudo/trabalho, passaporte, carteira de estudante, carta do empregador, documento de residência permanente e documentação que prova que você reside no Canadá (contrato de casa ou fatura de serviço público com o seu nome). Com o cartão de saúde, é possível ter acesso à assistência médica gratuita e realizar a maioria dos testes de laboratório gratuitamente também durante a gravidez.

Primeiros passos

Engravidou? O primeiro passo é procurar um teste de farmácia para ter a confirmação. Tendo a resposta positiva, você pode agendar uma visita a qualquer clínica perto da sua residência ou que você tenha recebido indicação. Na hora do agendamento, informe de cara que você está grávida e eles a direcionarão para os médicos certos e darão prioridade ao seu caso.

Nessa primeira consulta, que normalmente acontece com 12 semanas, o médico indicará um obstetra para acompanhar a gestação e deve solicitar os primeiros exames de sangue. As consultas são mensais até o oitavo mês e depois disso, a cada quinze dias. No Canadá, existem alguns aspectos diferentes no acompanhamento de uma gestação em relação ao Brasil: a quantidade de ultrassons é bem menor, podendo variar de província para província, médico para médico. Em regra geral, as obrigatórias e subsidiadas pelo sistema público são a translucência nucal, realizada entre 11 e 13 semanas de gestação e a morfológica, realizada entre 19 e 22 semanas.  Em algumas províncias, os médicos solicitam uma ultra entre 7 e 9 semanas e outra entre 32 e 24 semanas, mas vai depender da saúde do bebê e da mãe. Além disso, o sexo do bebê só é relevado, geralmente, entre a 20ª e 22ª semana e não há sexagem através de exame de sangue apenas para descoberta do sexo.

É possível fazer ultrassom privada em clínicas particulares, porém algumas exigem prescrição médica. ​Ainda existem clínicas privadas, que fazem exames apenas para revelar o sexo, com imagens em 3D e 4D e que permite o acompanhamento online de outras pessoas em qualquer lugar do mundo, ótima solução para incluir a família que está longe em todo o processo. Para isto, não é necessária uma prescrição médica.

Direitos de toda Grávida no Canadá

Tudo o que uma paciente precisa durante uma gravidez é fornecido pelo governo canadense, desde que ela esteja sendo acompanhada pelo seu médico cadastrado no sistema de saúde do país. Isso inclui todos os gastos com exames, ultrassons, parto, vacinas, amamentação e saúde da mãe. O sistema público também oferece cursos de pré-natal gratuito para os pais se prepararem melhor. Algumas províncias, como Quebec, disponibiliza um Guia chamado Mieux Vivre, que explica todas as fases do bebê, desde a gestação até a criança completar 2 anos.

As licenças maternidades da mãe e do pai também são pagas pelo governo canadense e o casal tem direito a 55 semanas para serem divididas entre o casal. A mãe deve ficar com, no mínimo, QUINZE semanas e o pai, no mínimo, TRÊS.  O pai e a mãe, ainda tem direito a mais 32 semanas, que podem ser divididas do jeito que o casal achar melhor. Durante a licença, o pai ou mãe recebe entre 55% e 75% do salário, variando de acordo com a licença que foi escolhida e a duração da mesma. Algumas empresas ainda oferecem benefício adicional aos novos papais. Para ter direito à licença maternidade, é necessário ter trabalhado por pelo menos 600 horas nas últimas 52 semanas antes de solicitar a licença e pago as taxas do Employment Insurance (EI). Se for profissional autônomo, é necessário ter acumulado cerca de $3.760 num período de 31 semanas com o EI.

Mais informações Canadá: https://www.canada.ca/en/employment-social-development/programs/ei/ei-list/reports/maternity-parental.html

Mais informações Quebec:  http://www.rqap.gouv.qc.ca/travailleur_salarie/types/maternite_en.asp

Durante a gestação, é sugerido que a grávida faça um Plano de Parto, para que o parto seja realizado conforme sua vontade.  O Plano de Parto é um documento em que a mãe detalha todos os procedimentos que podem e não podem ser feitos durante o parto, dessa forma, o hospital já fica ciente sobre desejos da família para detalhes importantes, como por exemplo: anestesia geral, utilização de Ocitocina, corte do cordão umbilical, presença do pai na sala do parto, etc.

Caso o parto seja normal (sem complicações), a paciente tem alta em um prazo entre 24 e 72 horas. A alta para partos cesária pode variar bastante. O Canadá incentiva e apoia o parto normal, oferecendo todo o suporte que as mães precisam para se preparar antes, durante e após o parto. Para as mães de primeira viagem e sem nenhum risco, em regra geral, o parto normal é sempre o mais indicado. Para as mães que já fizeram uma cesária na primeira gestação, fica a critério dela escolher o tipo de parto que deseja ter.  As mães podem escolher ter seus filhos no hospital, em casas de parto e até mesmo em casa, com parto domiciliar. Em todos estes casos, a mãe pode contar com o suporte do sistema de saúde público.

Ao nascer, o bebê não sai de perto do pai e da mãe em nenhum momento, a menos que tenha alguma complicação. É incentivada a amamentação logo após o nascimento e também o contato pele a pele com pais. Nada de muitas roupas e acessórios na maternidade. O mais importante é manter a pele do bebê em contato com a pele da mamãe e do papai, garantindo a tranquilidade, segurança e estabilidade emocional que ele precisa ao nascer. No Canadá, também não é comum ter recepção para família e amigos no hospital. Apenas os mais próximos fazem a visita e não existe o costume de dar lembrancinhas para quem visita o bebê.

Cerca de 3 a 7 dias após receberem alta, o bebê e a mãe recebem a visita de uma enfermeira em casa. A enfermeira analisa a situação psicológica da família, se o ambiente está adequado e seguro para o recém-nascido, pesa e tira as medidas do bebê, orienta a mãe quanto às vacinas, a amamentação, exercícios e bem estar emocional.

É importante saber também que mesmo tendo um filho em solo canadense, o processo não muda em relação a cidadania ou residência permanente. Não é possível obter nenhum desses dois só por ter tido um bebê no Canadá. O bebê ao nascer é canadense, mas isso não ajuda ou acelera o processo de imigração do resto da família.

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